Quinta-feira, 31 de Março de 2011
Democracia aparente
O grande mal que pode acontecer às democracias — e penso que todas elas sofrem em maior ou menor grau dessa doença — é viverem da aparência. Isto é, desde que funcionem os partidos, a liberdade de expressão, no seu sentido mais directo e imediato, o Governo, os tribunais, a chefia do Estado, desde que tudo isto pareça funcionar harmonicamente, e haja eleições e toda a gente vote, as pessoas preocupam-se pouco com procedimentos gravemente antidemocráticos.
Público, Lisboa, 10 de Maio de 1992In
José Saramago nas Suas Palavras
Quarta-feira, 30 de Março de 2011
À deriva
Na falsa democracia mundial, o cidadão está à deriva, sem a oportunidade de intervir politicamente e mudar o mundo. Actualmente, somos seres impotentes diante de instituições democráticas das quais não conseguimos nem chegar perto.
Época, São Paulo, 31 de Outubro de 2005In
José Saramago nas Suas Palavras
Terça-feira, 29 de Março de 2011
O suicídio da democracia
Quando digo que a democracia se suicida diariamente, perde espessura e se desgasta, diminuindo a sua densidade, estou a falar de um sentimento que nos afecta, a nós, cidadãos. Sentimos, e sofremos com isso, que não temos importância no modo como funciona a sociedade.
Diário de Notícias, Lisboa, 25 de Março de 2004In
José Saramago nas Suas Palavras
Segunda-feira, 28 de Março de 2011
Ler é bom para a saúde
Todo o mundo me diz que tenho que fazer exercício. Que é bom para a minha saúde. Mas nunca ouvi ninguém dizer a um desportista: tens que ler.
Sexta-feira, 25 de Março de 2011
Primeiro, segundo, terceiro
Primeiro sou português, em segundo sou ibérico, e apenas em terceiro, e quando me apetece, sou europeu.
La Nación, Buenos Aires, 21 de Janeiro de 1996In
José Saramago nas Suas Palavras