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	<title>O Caderno de Saramago</title>
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		<title>O Caderno de Saramago</title>
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		<title>Sarkozy, o irresponsável</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 00:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Nunca apreciei este cavalheiro e creio que a partir de hoje passarei a apreciá-lo ainda menos, se tal é possível. E não deveria ser assim, se, como a internet acaba de me informar, o dito sr. Sarkozy anda em missão de paz pelas torturadas terras da Palestina, esforço louvável que, à primeira vista, só deveria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Nunca apreciei este cavalheiro e creio que a partir de hoje passarei a apreciá-lo ainda menos, se tal é possível. E não deveria ser assim, se, como a internet acaba de me informar, o dito sr. Sarkozy anda em missão de paz pelas torturadas terras da Palestina, esforço louvável que, à primeira vista, só deveria merecer elogios e votos do melhor sucesso. Da minha parte tê-los-ia todos se não tivesse utilizado, uma vez mais, a velha estratégia dos dois pesos e das duas medidas. Num arranco de hipocrisia política simplesmente notável, Sarkozy acusa Hamas de haver cometido acções irresponsáveis e imperdoáveis lançando foguetes sobre o território de Israel. Não serei eu quem absolva Hamas de tais acções, aliás, segundo leio a cada passo, castigadas pela quase total ineficácia da bélica operação que pouco mais tem conseguido que danificar algumas casas e derrubar alguns muros. Nunca as palavras doam na língua ao sr. Sarkozy, há que denunciar a Hamas. Com uma condição, porém. Que as suas justamente repreensivas palavras tivessem sido igualmente aplicadas aos horrendos crimes de guerra que vêm sido cometidos pelo exército e pela aviação israelita, em proporções inimagináveis, contra a população civil da faixa de Gaza. Sobre esta vergonha o sr Sarkozy parece não ter encontrado no seu Larousse as expressões adequadas. Pobre França.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/357/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caderno.josesaramago.org&blog=4882207&post=357&subd=ocadernodesaramago&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Balanço</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 00:01:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Valeu a pena? Valeram a pena estes comentários, estas opiniões, estas críticas? Ficou o mundo melhor que antes? E eu, como fiquei? Isso esperava? Satisfeito com o trabalho? Responder “sim” a todas estas perguntas, ou a mesmo só a alguma delas, seria a demonstração clara de uma cegueira mental sem desculpa. E responder com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Valeu a pena? Valeram a pena estes comentários, estas opiniões, estas críticas? Ficou o mundo melhor que antes? E eu, como fiquei? Isso esperava? Satisfeito com o trabalho? Responder “sim” a todas estas perguntas, ou a mesmo só a alguma delas, seria a demonstração clara de uma cegueira mental sem desculpa. E responder com um “não” sem excepções, que poderia ser? Excesso de modéstia? De resignação? Ou apenas a consciência de que qualquer obra humana não passa de uma pálida sombra da obra antes sonhada. Conta-se que Miguel Ângelo, quando terminou o Moisés que se encontra em Roma, na igreja de San Pietro in Vincoli, deu uma martelada no joelho da estátua e gritou: “Fala!” Não será preciso dizer que Moisés não falou. Moisés nunca fala. Também o que neste lugar se escreveu ao longo dos últimos meses não contém mais palavras nem mais eloquentes que as que puderam ser escritas, precisamente essas a quem o autor gostaria de pedir, apenas murmurando, “Falem, por favor, digam-me o que são, para que serviram, se para algo foi”. Calam, não respondem. Que fazer, então? Interrogar as palavras é o destino de quem escreve. Um artigo? Uma crónica? Um livro? Pois seja, já sabemos que Moisés não responderá.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/355/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caderno.josesaramago.org&blog=4882207&post=355&subd=ocadernodesaramago&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Israel</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Dec 2008 00:01:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[O Caderno de Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a “relação especial” que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a “relação especial” que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta. Outros presidentes colegas seus o fizeram antes sem precisarem de outra justificação que a tal “relação especial” com a qual se deu cobertura a quantas ignomínias foram tramadas pelos dois países contra os direitos nacionais dos palestinos.</p>
<p>Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era  o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas…) E não se surpreenda se uma das suas filhas, ou as duas em coro, lhe disserem: “Não te canses, papá, já sabemos o que é uma relação especial, chama-se cumplicidade no crime”.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-331" title="ninas" src="http://ocadernodesaramago.files.wordpress.com/2008/12/ninas.jpg?w=450&#038;h=330" alt="ninas" width="450" height="330" /><br />
Os cadáveres de cinco irmãs palestinas de 4 a 17 anos mortas no bombardeamento nocturno israelita a uma mesquita do campo de refugiados de Yabalia jazem na morgue de um hospital<br />
<span><strong>Agencia France Press </strong> - Publicada en <em>El País</em> - 27-12-2008 </span></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-332" title="cartoon" src="http://ocadernodesaramago.files.wordpress.com/2008/12/cartoon.gif?w=450&#038;h=551" alt="cartoon" width="450" height="551" /><span dir="ltr">El Roto<br />
</span><span dir="ltr">Publicada no <em>El País</em> - 30 - 12- 2008</span></p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/330/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caderno.josesaramago.org&blog=4882207&post=330&subd=ocadernodesaramago&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Livro</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 00:03:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Estou às voltas com um novo livro. Quando, no meio de uma conversação, deixo cair a notícia, a pergunta que me fazem é inevitável (o meu sobrinho Olmo fê-la ontem): e qual vai ser o  título? A solução mais cómoda para mim seria responder que ainda não o tenho, que precisarei de chegar ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Estou às voltas com um novo livro. Quando, no meio de uma conversação, deixo cair a notícia, a pergunta que me fazem é inevitável (o meu sobrinho Olmo fê-la ontem): e qual vai ser o  título? A solução mais cómoda para mim seria responder que ainda não o tenho, que precisarei de chegar ao fim para me decidir entre as hipóteses que se me forem apresentando (supondo que assim seria) durante o trabalho. Cómoda, sem dúvida nenhuma, mas falsa. A verdade é que ainda a primeira linha do livro não havia sido escrita e eu já sabia, desde há quase três anos (quando a ideia surgiu), como ele se iria chamar. Alguém perguntará: porquê esse segredo? Porque a palavra do título (é só uma palavra) contaria, só por si, toda a história. Costumo dizer que quem não tiver paciência para ler os meus livros, passe os olhos ao menos pelas epígrafes porque por elas ficará a saber tudo. Não sei se o livro em que estou a trabalhar levará epígrafe. Talvez não. O título bastará.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/327/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caderno.josesaramago.org&blog=4882207&post=327&subd=ocadernodesaramago&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Cunhados</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Dec 2008 00:03:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[São perfeitos. Enfim, quase. Falam alto e sem descanso, apaixona-os a discussão pela discussão, são muitas vezes sectários, violentos de palavras, em todo o caso mais na forma que no fundo. As mulheres, que são cinco, fazem tanto ruído, senão mais ainda que os homens, que são dez. Para eles e para elas nenhum assunto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>São perfeitos. Enfim, quase. Falam alto e sem descanso, apaixona-os a discussão pela discussão, são muitas vezes sectários, violentos de palavras, em todo o caso mais na forma que no fundo. As mulheres, que são cinco, fazem tanto ruído, senão mais ainda que os homens, que são dez. Para eles e para elas nenhum assunto ficará alguma vez suficientemente debatido. Nunca desistem. A pronúncia granadina torna com frequência ininteligível o que dizem. Não importa. Embora eu tenha as minha dúvidas, afirmam que se entendem uns aos outros perfeitamente. Têm um sentido de humor particular que muitas vezes me ultrapassa e que não raro me leva a perguntar aos meus próprios botões onde estava a graça. Os noivos e as noivas, os esposos e as esposas, grupo em que estou incluído, assistem estupefactos, e, como não podem vencê-los, acabam por juntar-se ao coro, excepto algum raro caso que prefira o discreto silêncio. Em vinte anos nunca vi que destas discussões resultasse uma zanga, um conflito a necessitar conselho de família e reconciliação. Por mais que tenha chovido e trovejado antes, o céu sempre acabará limpo de nuvens. Perfeitos não serão, mas boa gente, sim.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/325/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caderno.josesaramago.org&blog=4882207&post=325&subd=ocadernodesaramago&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Ceia</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 23:38:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Há muitos anos, nada menos que em 1993, escrevi nos “Cadernos de Lanzarote” umas quantas palavras que fizeram as delícias de alguns teólogos desta parte da Ibéria, especialmente Juan José Tamayo, que desde aí, generosamente, me deu a sua amizade. Foram elas: “Deus é o silêncio do universo, e o homem o grito que dá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Há muitos anos, nada menos que em 1993, escrevi nos “Cadernos de Lanzarote” umas quantas palavras que fizeram as delícias de alguns teólogos desta parte da Ibéria, especialmente Juan José Tamayo, que desde aí, generosamente, me deu a sua amizade. Foram elas: “Deus é o silêncio do universo, e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio”. Reconheça-se que a ideia não está mal formulada, com o seu “quantum satis” de poesia, a sua intenção levemente provocadora e o subentendido de que os ateus são muito capazes de aventurar-se pelos escabrosos caminhos da teologia, ainda que a mais elementar. Nestes dias em que se celebra o nascimento do Cristo, outra ideia me acudiu, talvez mais provocadora ainda, direi mesmo que revolucionária, e que em pouquíssimas palavras se enuncia. Ei-las. Se é verdade que Jesus, na última ceia, disse aos discípulos, referindo-se ao pão e ao vinho que estavam sobre a mesa: “Este é o meu corpo, este é o meu sangue”, então não será ilegítimo concluir que as inumeráveis ceias, as pantugruélicas comezainas, as empaturradelas homéricas com que milhões e milhões de estômagos têm de haver-se para iludir os perigos de uma congestão fatal, não serão mais que a multitudinária cópia, ao mesmo tempo efectiva e simbólica, da última ceia: os crentes alimentam-se do seu deus, devoram-no, digerem-no, eliminam-no, até ao próximo natal, até à próxima ceia, ao ritual de uma fome material e mística sempre insatisfeita. A ver agora que dizem os teólogos.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/323/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caderno.josesaramago.org&blog=4882207&post=323&subd=ocadernodesaramago&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Um ano depois</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 00:01:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[O Caderno de Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[“Morri” na noite de 22 de Dezembro de 2007, às quatro horas da madrugada, para “ressuscitar” só nove horas depois. Um colapso orgânico total, uma paragem das funções do corpo, levaram-me ao último limiar da vida, lá onde já é tarde de mais para despedidas. Não recordo nada. Pilar estava ali, estava também Maria, minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>“Morri” na noite de 22 de Dezembro de 2007, às quatro horas da madrugada, para “ressuscitar” só nove horas depois. Um colapso orgânico total, uma paragem das funções do corpo, levaram-me ao último limiar da vida, lá onde já é tarde de mais para despedidas. Não recordo nada. Pilar estava ali, estava também Maria, minha cunhada, uma e outra diante de um corpo inerte, abandonado de todas as forças e donde o espírito parecia ter-se ausentado, que mais tinha já de irremediável cadáver que de ser vivente. São elas que me contam hoje o que foram aquelas horas. Ana, a minha neta, chegou na tarde do mesmo dia, Violante no seguinte. O pai e avô ainda era como a pálida chama de uma vela que ameaçasse extinguir-se ao sopro da sua própria respiração. Soube depois que o meu corpo seria exposto na biblioteca, rodeado de livros e, digamo-lo assim, outras flores. Escapei. Um ano de recuperação, lenta, lentíssima como me avisaram os médicos que teria de ser, devolveu-me a saúde, a energia, a agilidade do pensamento, devolveu-me também esse remédio universal que é o trabalho. Em direcção, não à morte, mas à vida, fiz a minha própria “Viagem do Elefante”, e aqui estou. Para vos servir.</p>
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		<title></title>
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		<pubDate>Tue, 23 Dec 2008 00:03:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[O Caderno de Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[Natal
Natal. Na província neva.
Nos lares aconchegados
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Por isso tenho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!
Fernando Pessoa
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;     ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Natal</strong></p>
<p>Natal. Na província neva.<br />
Nos lares aconchegados<br />
Um sentimento conserva<br />
Os sentimentos passados.</p>
<p>Coração oposto ao mundo,<br />
Como a família é verdade!<br />
Meu pensamento é profundo,<br />
Por isso tenho saudade.</p>
<p>E como é branca de graça<br />
A paisagem que não sei,<br />
Vista de trás da vidraça<br />
Do lar que nunca terei!</p>
<p><strong>Fernando Pessoa</strong></p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/308/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caderno.josesaramago.org&blog=4882207&post=308&subd=ocadernodesaramago&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Gaza</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Dec 2008 00:03:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[O Caderno de Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à  luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à  luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho. Desde o dia 9 de Dezembro os camiões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a cobardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende. Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/306/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caderno.josesaramago.org&blog=4882207&post=306&subd=ocadernodesaramago&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Editores</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Dec 2008 00:04:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Saramago</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[O Caderno de Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[Voltaire não tinha agente literário. Não o teve ele nem nenhum escritor do seu tempo e de largos tempos mais. O agente literário simplesmente não existia. O negócio, se assim lhe quisermos chamar, funcionava com dois únicos interlocutores, o autor e o editor. O autor tinha a obra, o editor os meios para publicá-la, nenhum [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Voltaire não tinha agente literário. Não o teve ele nem nenhum escritor do seu tempo e de largos tempos mais. O agente literário simplesmente não existia. O negócio, se assim lhe quisermos chamar, funcionava com dois únicos interlocutores, o autor e o editor. O autor tinha a obra, o editor os meios para publicá-la, nenhum intermediário entre um e outro. Era o tempo da inocência. Não quer isto dizer que o agente literário tenha sido e continue a ser a serpente tentadora nascida para perverter as harmonias de um paraíso que, verdadeiramente, nunca existiu. Porém, directa ou indirectamente, o agente literário foi o ovo posto por uma indústria editorial que havia passado a preocupar-se muito mais com um descobrimento em cadeia de <em>best-sellers</em> que com a publicação e a divulgação de obras de mérito. Os escritores, gente em geral ingénua que facilmente se deixa iludir pelo agente literário do tipo chacal ou tubarão, correm atrás de promessas de vultosos adiantamentos e de promoções planetárias como se disso dependesse a sua vida. E não é assim. Um adiantamento é simplesmente um pagamento por conta, e, quanto a promoções, todos temos a obrigação de saber, por experiência, que as realidades ficam quase sempre aquém das expectativas.</p>
<p>Estas considerações não são mais que uma modesta glosa da excelente conferência pronunciada por Basílio Baltasar em finais de Novembro no México, com o título de “A desejada morte do editor”, na sequência de uma entrevista dada a “El País” pelo famoso agente literário Andrew Willie. Famoso, digo, embora nem sempre pelas melhores razões. Não me atreveria, nem seria este o lugar adequado, a resumir as pertinentes análises de Basilio Baltasar a partir da estulta declaração do dito Willie de que “O editor é nada, nada” e que me recorda as palavras de Roland Barthes quando anunciou a morte do autor… Afinal, o autor não morreu, e o ressurgimento do editor amante do seu trabalho está nas mãos do editor, se assim o quiser. E também nas mãos dos escritores a quem vivamente recomendo a leitura da conferência de Basilio Baltasar, que deverá ser publicada, e um seu consequente debate.</p>
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ocadernodesaramago.wordpress.com/304/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caderno.josesaramago.org&blog=4882207&post=304&subd=ocadernodesaramago&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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