Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
Guatemala
Cada dia se vai tornando mais claro em todo o mundo que o problema da justiça não é da justiça, mas dos juízes. A justiça está nas leis, nos códigos, portanto deveria ser fácil aplicá-la. Bastaria saber ler, entender o que está escrito, escutar de maneira isenta as alegações do acusador e do acusado, as testemunhas, se as houver, e finalmente, em consciência, julgar. A corrupção tem mil caras e a pior delas, neste particular, talvez seja, em qualquer sentido, a natureza da relação entre quem julga e quem é julgado. Um caso típico de perversão julgadora ocorreu muito recentemente na Guatemala onde o editor Raúl Figueroa Sarti da casa F&G Editores foi condenado a um ano de prisão comutável à razão de 25 quetzales diários e ao pagamento de uma multa de cinquenta mil quetzales, mais as custas do processo. Qual foi o crime de Raúl Figueroa? Haver publicado, a solicitação e com o conhecimento do seu respectivo autor, Mardo Arturo Escobar, uma fotografia que veio a ser inserida em um livro editado por F&G. Desse livro foram entregues ao agora acusador alguns exemplares da obra em questão. Aos juízes não importou nada que o próprio Mardo Escobar tivesse reconhecido que havia entregado voluntariamente uma fotografia a Raúl Figueroa, a quem deu autorização verbal para a usar numa publicação. Importou, sim, que o acusador fosse seu colega: Mardo Arturo Escobar trabalha no Quarto Juízo de Sentença Penal, sendo, portanto, companheiro de actividades de juízes, oficiais e magistrados...
Mas este caso não é um simples episódio de baixa corrupção. O acosso de que, desde há dois anos, tem sido alvo F&G Editores, enquadra-se na situação repressiva que se está vivendo na Guatemala, onde o poder oficial tem vindo a perseguir e a tentar calar as vozes discordantes, essas que, sem desânimo, continuam a denunciar as violações dos Direitos Humanos no país. Pelos vistos, tinha razão aquele já velho jogo de palavras entre Guatemala e Guatepior. Dos cidadãos guatemaltecos se espera que o inocente jogo não se transforme em triste realidade.


publicado por Fundação Saramago às 00:01
link do post | adicionar aos favoritos
partilhar

Pesquisa
 
Entradas recentes

Vão todos, os vivos e os...

Não fosse falarem as mulh...

Eu sou tão pessimista que...

Chegam dias de férias, um...

Não são os políticos os q...

[Não escrevo] por amor, m...

Homem novo

Padre António Vieira

Com elas o caos não se te...

Problemas de homens

Categorias

todas as tags

Arquivo

Abril 2014

Março 2014

Setembro 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Dezembro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Maio 2012

Abril 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Subscrever RSS