Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
A feira
Este ano não irei à Feira do Livro de Lisboa. Que não é como a de Frankfurt, ou a de Guadalajara, no México, nem sequer como a de Madrid, mas que é a nossa e está num lugar bonito, onde antes havia uma colina e agora menos, porque a fúria urbanística reduziu encostas, mas ainda assim vê-se o rio ao fundo, e há uma bela imagem da cidade pombalina, a que ia ser moderna e racional e o foi, basta passear por ela para ver que a razão esteve presente quando se desenhou, embora logo tivessem vindo outros que preferiram o obscurantismo às luzes e quase deram cabo dela.

Dizem-me que faz bom tempo e que a Feira este ano está mais animada, como se por esse mundo fora não lavrassem coisas terríveis, crise, pobreza, depressão. Diz-se que em épocas de crise se lê mais, e parece que os contabilistas comprovam esta afirmação. A mim agrada-me pensar que em épocas de crise as pessoas querem saber por que chegámos a isto e acercam-se aos livros como se estes fossem fontes de água fresca e os leitores gente sedenta.

Gosto da Feira do Livro. Gosto de estar horas sentado assinando exemplares de pessoas que chegam com um recado, em geral discreto. Gosto de levantar os olhos e ver as pessoas circulando entre os pavilhões, talvez procurando o ser humano que os livros levam dentro. Gosto do calor da primeira parte da tarde e da frescura que virá depois, sinto que certo lirismo me percorre o corpo, em mim que não sou lírico, mas sentimental. E penso que os livros são bons para a saúde, e também para o espírito, e que nos levam a ser poetas ou a ser cientistas, a entender de estrelas ou encontrá-las no interior da vontade de certas personagens, essas que às vezes, algumas tardes, se escapam das páginas e vão passear entre os humanos, talvez mais humanas elas.

Sinto muito não poder estar este ano em Lisboa, na Feira do Livro.


publicado por Fundação Saramago às 00:01
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