Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011
"Claraboia" XXVI
Seguindo no ar o movimento envolvente do fumo que subia, Abel ouvia as histórias que lhe contavam a cómoda e a mesa, as cadeiras e o espelho. E também as cortinas da janela. Não eram histórias com princípio, meio e fim, mas um fluir doce de imagens, a linguagem das formas e das cores que deixam uma impressão de paz e serenidade.


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Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
"Claraboia" XXV
Só esta! Carmen teve vontade de chorar. Via nesse momento que estivera esperando carta de Manolo, não só dele, mas principalmente dele. E a carta não vinha. Com uma lentidão que intrigou o carteiro, fechou a porta. Que loucura, a sua! Não pensara! Não estava nos seus cinco sentidos quando escrevera ao primo! Ocupada com estes pensamentos já esquecera que tinha nas mãos a carta da mãe. Mas sentiu nos dedos, de súbito, o contacto do papel. Murmurou, em galego:– Miña nai...


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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
"Claraboia" XXIV
Mas não saiu de casa. Fixara-se nele a ideia de que era o responsável pela recaída, porque só depois das palavras que dissera ao filho a doença se agravara. A sua presença era como uma penitência, inútil como todas as penitências e apenas compreensível porque era voluntária.


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Domingo, 23 de Outubro de 2011
"Claraboia" XXIII
De todas as mulheres, uma só desdenhava: a sua. Justina era, para si, um ser assexuado, sem necessidades nem desejos. Quando ela, na cama, no acaso dos movimentos, lhe tocava, afastava-se com repugnância, incomodado pela sua magreza, pelos seus ossos agudos, pela pele excessivamente seca, quase pergaminhada. «Isto não é uma mulher, é uma múmia», pensava.


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Sábado, 22 de Outubro de 2011
"Claraboia" XXII
Sim. Os tempos são outros, mas os homens são os mesmos...


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