Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
A pior das mortes
Um país como Portugal, e não é o único nesta situação, que não tem uma ideia própria de futuro para toda a colectividade, vive numa situação de total dependência. Não temos mais ideias para além das que nos dizem que devemos ter. A União Europeia dita-nos o que devemos fazer em todas as ordens da vida. Encaminhamo-nos para a pior das mortes: a morte por falta de vontade, por abdicação. Esta renúncia é também a morte da cultura. Por isso creio que um país morto, como Portugal, não pode fazer uma cultura viva.“José Saramago: ‘El mundo se está quedando ciego”, La Verdad, Murcia, 15 de Março de 1994José Saramago nas Suas Palavras


publicado por Fundação Saramago às 00:01
link do post | adicionar aos favoritos
partilhar

Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010
18 de Novembro, tal dia como o de hoje
Tal dia como o de hoje nasceu José Saramago segundo o registo civil. Mas já sabemos que as actas oficiais também podem distorcer a realidade, porque a verdade verdadeira é que José Saramago nasceu no dia 16 de Novembro. De qualquer forma, temos duas datas para festejar o nascimento de um imprescindível do nosso tempo. Hoje, para além disso, cumprem-se cinco meses sobre a morte de José Saramago. Recordaremos a sua vida celebrando-a e agradecendo a sua contribuição para a literatura, para o pensamento e para o processo de humanização que devemos seguir para ser verdadeiramente humanos, o que quer dizer, para não aceitar a pobreza, o sofrimento e a ignorância a que milhares de milhões de pessoas estão submetidas neste momento. Um mundo habitado por seres autenticamente humanos não permitiria esse atropelo. A Fundação José Saramago tenta seguir esses passos e partilha com os leitores que se expressaram nestes dias, amigos de alma, um abraço solidário. Que oxalá seja fecundo.Pilar del Río

*

Nasci numa família de camponeses sem terra, em Azinhaga, uma pequena povoação situada na província do Ribatejo, na margem direita do rio Almonda, a uns cem quilómetros a nordeste de Lisboa. Meus pais chamavam-se José de Sousa e Maria da Piedade. José de Sousa teria sido também o meu nome se o funcionário do Registo Civil, por sua própria iniciativa, não lhe tivesse acrescentado a alcunha por que a família de meu pai era conhecida na aldeia: Saramago. (Cabe esclarecer que saramago é uma planta herbácea espontânea, cujas folhas, naqueles tempos, em épocas de carência, serviam como alimento na cozinha dos pobres). Só aos sete anos, quando tive de apresentar na escola primária um documento de identificação, é que se veio a saber que o meu nome completo era José de Sousa Saramago...Fui bom aluno na escola primária: na segunda classe já escrevia sem erros de ortografia, e a terceira e quarta classes foram feitas em um só ano. Transitei depois para o liceu, onde permaneci dois anos, com notas excelentes no primeiro, bastante menos boas no segundo, mas estimado por colegas e professores, ao ponto de ser eleito (tinha então 12 anos...) tesoureiro da associação académica... Entretanto, meus pais haviam chegado à conclusão de que, por falta de meios, não poderiam continuar a manter-me no liceu. A única alternativa que se apresentava seria entrar para uma escola de ensino profissional, e assim se fez: durante cinco anos aprendi o ofício de serralheiro mecânico.Mais tarde, a Biblioteca Municipal das Galveias foi a minha Universidade.José Saramago


publicado por Fundação Saramago às 00:01
link do post | adicionar aos favoritos
partilhar

Terça-feira, 16 de Novembro de 2010
Tal dia como o de hoje há 88 anos
Nasci numa família de camponeses sem terra, em Azinhaga, uma pequena povoação situada na província do Ribatejo, na margem direita do rio Almonda, a uns cem quilómetros a nordeste de Lisboa. Meus pais chamavam-se José de Sousa e Maria da Piedade. José de Sousa teria sido também o meu nome se o funcionário do Registo Civil, por sua própria iniciativa, não lhe tivesse acrescentado a alcunha por que a família de meu pai era conhecida na aldeia: Saramago. (Cabe esclarecer que saramago é uma planta herbácea espontânea, cujas folhas, naqueles tempos, em épocas de carência, serviam como alimento na cozinha dos pobres). Só aos sete anos, quando tive de apresentar na escola primária um documento de identificação, é que se veio a saber que o meu nome completo era José de Sousa Saramago...

Fui bom aluno na escola primária: na segunda classe já escrevia sem erros de ortografia, e a terceira e quarta classes foram feitas em um só ano. Transitei depois para o liceu, onde permaneci dois anos, com notas excelentes no primeiro, bastante menos boas no segundo, mas estimado por colegas e professores, ao ponto de ser eleito (tinha então 12 anos...) tesoureiro da associação académica... Entretanto, meus pais haviam chegado à conclusão de que, por falta de meios, não poderiam continuar a manter-me no liceu. A única alternativa que se apresentava seria entrar para uma escola de ensino profissional, e assim se fez: durante cinco anos aprendi o ofício de serralheiro mecânico.

Mais tarde, a Biblioteca Municipal das Galveias foi a minha Universidade.

José Saramago


publicado por Fundação Saramago às 11:25
link do post | adicionar aos favoritos
partilhar

Algo vital
Apenas se nos pede o voto para homologar uma quantidade de coisas, em cuja definição não somos levados em conta. Apenas nos pedem o voto, não nos pedem que participemos. E a cada quatro anos vamos votar muito contentes, acreditando que estamos a fazer algo importante, mas o importante ocorreu nesses quatro anos. Com isto não estou a condenar os políticos, pois a política é algo vital e temos que exercê-la todos.José Saramago: ‘Podría haber seguido en Portugal, pero no aguanté”, Canarias7, Las Palmas de Gran Canaria, 20 de Fevereiro de 1994In José Saramago nas Suas Palavras


publicado por Fundação Saramago às 00:01
link do post | adicionar aos favoritos
partilhar

Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
Sempre com honestidade
Eu sou uma pessoa pacífica, sem demagogia nem estratégia. Digo exactamente o que penso. E faço-o de forma simples, sem retórica. As pessoas que se reúnem para escutar-me sabem que, independentemente de coincidirem ou não com o que penso, sou honesto, que não trato de condicionar nem de convencer ninguém. Parece que a honestidade não se usa muito nos tempos actuais. Eles vêm, escutam e vão contentes como quem tem necessidade de um copo de água fresca e a encontra ali. Não tenho a mínima ideia do que vou dizer quando estou diante das pessoas. Mas digo sempre o que penso. Nunca ninguém poderá dizer que o enganei. As pessoas têm necessidade de que lhes falem com honestidade.José Saramago, 2003In José Saramago nas Suas Palavras


publicado por Fundação Saramago às 00:01
link do post | adicionar aos favoritos
partilhar

Pesquisa
 
Entradas recentes

Vão todos, os vivos e os...

Não fosse falarem as mulh...

Eu sou tão pessimista que...

Chegam dias de férias, um...

Não são os políticos os q...

[Não escrevo] por amor, m...

Homem novo

Padre António Vieira

Com elas o caos não se te...

Problemas de homens

Categorias

todas as tags

Arquivo

Abril 2014

Março 2014

Setembro 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Dezembro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Maio 2012

Abril 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Subscrever RSS